Uma mulher de 40 anos foi morta a tiros na noite de quinta-feira (17), em Montanha, no Norte do Espírito Santo. Janete Alves Farias foi encontrada com um ferimento no peito dentro de um apartamento na Avenida José Silveira, no bairro Cypreste. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio e trata o companheiro dela como principal suspeito.
A ameaça antes do crime
O que colocou o caso em evidência foi um relato da família. Em entrevista ao portal A Gazeta, a filha da vítima contou que ligou para a mãe por volta das 18h30, cerca de meia hora antes de a Polícia Militar registrar a ocorrência. Janete estava na casa da mãe do suspeito, e a filha falou com os dois durante a chamada. Segundo ela, foi nesse momento que o homem teria ameaçado matar Janete e colocá-la em uma geladeira.
A fala remete a um crime ocorrido em Montanha em 21 de agosto, quando Benedita de Jesus Rodrigues, de 59 anos, foi encontrada morta dentro de uma geladeira em um imóvel no Centro da cidade. O registro policial da época apontava uma perfuração no peito causada por arma branca. O namorado da vítima foi apontado como suspeito, e o caso segue sob investigação da Polícia Civil.
Ainda na entrevista, a filha afirmou que só soube das agressões sofridas pela mãe por meio de vizinhos, já que Janete não comentava o assunto com a família.
O crime
A ocorrência foi registrada às 19h. Uma equipe da Polícia Militar fazia patrulhamento de rotina quando foi abordada por moradores, que disseram ter ouvido uma mulher pedir socorro em um apartamento em frente às casas onde vivem. Pouco depois, escutaram um estampido semelhante a um tiro.
Ao subir a escada de acesso aos apartamentos, os militares encontraram Janete caída, em meio a uma grande quantidade de sangue e aparentemente sem sinais vitais. O ferimento no peito era compatível com disparo de arma de fogo. Os policiais vistoriaram o imóvel, mas não havia mais ninguém no local.

Os relatos de vizinhas indicam que houve uma discussão dentro do apartamento antes do disparo e que o casal, que morava ali, tinha histórico de brigas frequentes. Uma testemunha disse ter visto, da janela, duas pessoas saindo do prédio e fugindo em uma motocicleta.
A filha de Janete também informou aos policiais que, logo após o tiro, recebeu a ligação de um homem identificado apenas como Júnior. Ele teria avisado que a mulher havia sido baleada e que possivelmente já estava morta.
A investigação
De acordo com o delegado Waldir Marins, titular da Delegacia de Ponto Belo e Montanha, Janete e o suspeito estavam juntos havia cerca de três meses, e o crime foi precedido por uma briga. O delegado informou que o homem já foi identificado e qualificado e que há registros contra ele com base na Lei Maria da Penha envolvendo a própria mãe. As buscas feitas na região não o localizaram, e, até o fechamento desta matéria, não havia informação sobre a expedição do mandado de prisão.
O local foi isolado para o trabalho da perícia, e o corpo foi removido após os procedimentos técnicos. Equipes policiais também fizeram diligências nas proximidades do crime e em bairros vizinhos, sem sucesso. O caso foi registrado pela Polícia Militar sob o BU nº 62390237.
Quem era a Vitima
Natural de Montanha, Janete já trabalhou como monitora de ônibus escolar e deixa três filhos. O irmão dela, Paulo Pereira Medina Silva, a descreveu como uma mulher alegre, trabalhadora e querida na cidade. Segundo ele, a família ainda tenta assimilar a perda e atravessa um momento muito difícil. “Ninguém esperava que isso pudesse acontecer”, afirmou.
A polícia segue em busca de informações sobre o suspeito até o fechamento desta matéria. Qualquer informação pode ser repassada de forma anônima pelo Disque-Denúncia 181 ou pelo 190.
