Boa Esperança confirma terceiro caso de febre maculosa e registra duas mortes em 2026

A situação da febre maculosa voltou a chamar atenção em Boa Esperança, no Noroeste do Espírito Santo. O município confirmou o terceiro caso da doença em 2026 e, segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), já registra duas mortes provocadas pela doença somente neste ano.

Com a confirmação de novos casos, equipes da Vigilância Epidemiológica Estadual e da Vigilância Ambiental Municipal realizaram uma investigação para identificar possíveis áreas de transmissão e verificar a presença de carrapatos nas localidades relacionadas à ocorrência da doença.

O trabalho de campo foi realizado nos dias 31 de agosto e 1º de setembro de 2026, nas localidades de Beira Rio e Cruzeiro. Durante a ação, foram encontrados e coletados carrapatos presentes no ambiente, que agora passarão por identificação e análise laboratorial.

Investigação busca identificar possíveis áreas de risco

A ação reuniu duas técnicas da Vigilância Epidemiológica Estadual, integrantes da equipe da Secretaria de Estado da Saúde, e duas técnicas da Vigilância Ambiental Municipal.

Durante as visitas, as equipes fizeram a coleta de carrapatos encontrados no ambiente utilizando as técnicas de arrasto e bandeira. Os métodos permitem procurar os animais presentes na vegetação e no solo e recolher os exemplares para posterior análise.

A coleta faz parte das ações de vigilância para entender melhor o cenário encontrado nas localidades investigadas. Além dos carrapatos, as equipes também registram informações sobre o local, a data da coleta, as condições ambientais e o método utilizado.

Carrapatos serão analisados em laboratório

Os exemplares coletados em Boa Esperança serão encaminhados inicialmente ao Núcleo de Entomologia Médica do Espírito Santo (NEMES), onde será realizada a identificação das espécies.

Depois dessa etapa, os carrapatos passarão por análise biomolecular no Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen). O objetivo é verificar a eventual presença de agentes infecciosos relacionados à febre maculosa.

Os resultados poderão ajudar as autoridades de saúde a entender quais espécies de carrapatos estão presentes nas áreas investigadas e se há presença de agentes de importância epidemiológica.

A identificação das áreas onde pode existir risco de exposição é uma etapa importante da investigação, pois permite direcionar as orientações à população e definir outras medidas de vigilância e prevenção.

Espírito Santo tem 23 casos confirmados

A preocupação não se limita a Boa Esperança. Em todo o Espírito Santo, 23 casos de febre maculosa foram confirmados em 15 municípios em 2026, com 14 mortes registradas pela doença, conforme os dados da Secretaria de Estado da Saúde.

Boa Esperança e Cachoeiro de Itapemirim aparecem entre os municípios com maior número de casos confirmados, com três registros cada.

A febre maculosa é uma doença causada por bactérias do gênero Rickettsia e transmitida principalmente pela picada de carrapatos infectados. Por isso, as investigações ambientais são utilizadas para ampliar o conhecimento sobre a presença desses animais e possíveis áreas de exposição.

Atenção aos sintomas da febre maculosa

Os primeiros sinais da doença podem surgir de forma repentina. Entre os sintomas estão febre, dor de cabeça intensa, dores musculares, mal-estar, náuseas e vômitos. Também podem aparecer manchas avermelhadas na pele.

A doença pode ser confundida inicialmente com outras infecções, o que torna importante informar ao profissional de saúde sobre uma possível exposição a carrapatos, especialmente quando a pessoa esteve em áreas rurais, de vegetação ou outros locais onde esses animais possam estar presentes.

A orientação é procurar atendimento médico imediatamente diante do surgimento de sintomas compatíveis após uma possível exposição. O Ministério da Saúde destaca que, diante da suspeita clínica, o tratamento deve ser iniciado de forma rápida, sem esperar necessariamente o resultado dos exames laboratoriais.

Prevenção começa com cuidado ao entrar em áreas de risco

Quem vive, trabalha ou circula em locais onde há possibilidade de presença de carrapatos deve redobrar os cuidados.

Entre as recomendações estão o uso de roupas claras, calças compridas, botas e blusas de mangas longas, principalmente em áreas de vegetação. Também é importante verificar o corpo após passar por esses locais e retirar rapidamente qualquer carrapato encontrado.

Caso um carrapato esteja preso à pele, a orientação do Ministério da Saúde é retirá-lo com uma pinça, puxando com cuidado e firmeza, sem apertá-lo ou esmagá-lo. Quanto mais rápido o animal for removido, menor é o risco de transmissão.

Investigação pode orientar novas ações em Boa Esperança

O trabalho realizado em Beira Rio e Cruzeiro reúne diferentes etapas de investigação, desde a busca e coleta dos carrapatos até a identificação das espécies e a análise laboratorial.

As informações produzidas pelas equipes estadual e municipal poderão auxiliar a Vigilância em Saúde na avaliação das áreas investigadas e na definição de novas orientações ou medidas de prevenção.

Em um cenário que já soma três casos e duas mortes em Boa Esperança em 2026, o acompanhamento das áreas onde houve possível exposição ganha importância para ampliar a vigilância e orientar os moradores sobre os cuidados necessários.

A população deve permanecer atenta aos sintomas e informar aos profissionais de saúde qualquer possível contato com carrapatos. A atuação rápida diante de uma suspeita é considerada fundamental para o diagnóstico e o início do tratamento da febre maculosa.

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