O governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, participou nesta segunda-feira (27) da abertura do encontro nacional 'Brasil Sob Ameaça – Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado', realizado no Espaço Patrick Ribeiro, em Vitória. Durante o evento, Ferraço defendeu uma atualização na legislação brasileira para classificar ações de facções criminosas como terrorismo, permitindo uma resposta mais rigorosa do Estado.
Em seu discurso, Ferraço destacou que o crime organizado no Brasil ultrapassou os limites da criminalidade comum, utilizando o medo sistemático para paralisar comunidades e desafiar o poder público. Para ele, é necessário que o País deixe de 'enxugar gelo' e enfrente as facções com novos instrumentos jurídicos e inteligência financeira.

Atualização Legislativa e Combate ao Terror
Ferraço argumentou que, embora o crime organizado possa não ter motivação ideológica ou religiosa, ele pratica terrorismo ao intimidar, paralisar e desafiar o Estado brasileiro. 'Defendo que possamos construir e aprovar uma legislação que reconheça o que chamamos de Terrorismo Criminal Organizado', afirmou o governador.
Organizado pela Faculdade de Direito de Vitória (FDV), com apoio da Escola da Magistratura (Emes), o evento reúne especialistas internacionais, magistrados e autoridades de segurança para discutir o avanço das organizações criminosas no País. O objetivo é formular a 'Carta de Vitória', um documento com propostas concretas que será entregue às instâncias federais.
Investimentos em Segurança e Cobrança ao Governo Federal
Ricardo Ferraço também destacou os investimentos que o Espírito Santo tem realizado para reforçar as forças de segurança, incluindo as polícias Militar, Civil, Científica e Penal, além do uso de tecnologias como inteligência artificial e reconhecimento facial. Ele aproveitou a presença de autoridades nacionais para cobrar uma atuação mais enfática do Governo Federal no apoio aos estados.
O governador enfatizou que, no Espírito Santo, a ordem é mantida pela lei e pela presença constante do Estado nas comunidades. 'A segurança pública é uma obra inacabada e eu não terceirizo as minhas responsabilidades. Quando o crime usa o terror, o Estado precisa responder com autoridade. E autoridade, aqui, não é excesso. É dever', pontuou Ricardo.
Discussões e Resultados Esperados
O encontro continua até esta terça-feira (28), com painéis que exploram temas desde a infiltração do crime na economia até o sistema prisional. A 'Carta de Vitória', resultado das discussões, pretende ser um marco na formulação de políticas de segurança pública que integrem o setor privado, o sistema de justiça e as forças policiais no combate às estruturas financeiras das facções.
