Uma votação na Câmara de Linhares no último dia 24 de novembro acendeu um alerta vermelho na cidade. Por decisão de nove vereadores, dois Projetos de Lei (184/2025 e 186/2025), enviados pelo prefeito Lucas Scaramussa, foram rejeitados.
Com isso, Linhares corre o risco de perder a partir de 1º de janeiro a renovação e contratação emergencial de mais de 400 profissionais da saúde, incluindo médicos, técnicos, enfermeiros e equipes de apoio que mantêm as unidades funcionando dia e noite.
O resultado dessa votação é que uma cidade com quase 200 mil habitantes, que atende as famílias mais humildes da região, pode ficar sem esses 400 trabalhadores.
Efeito Dominó: Postos Fechados e Risco de Mortes
A perda desse contingente de profissionais pode ter consequências imediatas e graves:
- Postos fechados;
- Plantões descobertos;
- Espera dobrada;
- Urgências sem resposta;
- Um risco real de vidas serem perdidas.
O medo se espalhou entre a população e os profissionais:
“Tenho duas crianças pequenas. Se uma delas passar mal de madrugada, quem vai atender? Esses vereadores estão brincando com as nossas vidas de dos nossos filhos.”, desabafou a dona de casa Lucinéia Andrade, do Planalto.
A aposentada Maria de Lourdes, 67 anos, do bairro Araçá, expressa a preocupação:
“Eu moro sozinha e tenho problema no coração. Fiquei apavorada quando soube, se eu passar mal, o que vou fazer sem não tiver ninguém para me socorrer?”.
O Desespero de Quem Está na linha de frente
Uma técnica de enfermagem do UPA Infantil, sob anonimato, lamenta a situação dos 400 colegas:
“Sem esses 400 profissionais, Linhares não perde apenas números, perde braços, rostos, vozes, cuidado. É gente que acolhe, aplica remédio, faz triagem, organiza filas, corre com maca, atende no desespero. E precisa desse emprego para viver, não estamos satisfeitos com os salários, mas preferíamos lutar com nossos empregos que desempregados”.
Outro profissional alerta para a iminência do colapso:
“Se tirar essa galera, o sistema colapsa. Não tem como funcionar, é matemática básica, a gente não fala isso por política, é por sobrevivência”, explica um enfermeiro que pediu para não ser identificado, com medo de represálias.
Um médico que atende no HGL, de forma reservada, classifica a situação como uma tragédia:
“É uma tragédia anunciada. E essa tragédia anunciada tem culpados. Nenhuma cidade de 200 mil habitantes sobrevive a esse corte sem perder vidas.”
Os Vereadores que Votaram Contra
Um representante da prefeitura, que não quis se identificar, garantiu que os parlamentares foram alertados sobre a gravidade da rejeição:
“Eles sabiam, porque foi dito, apresentado e debatido que a rejeição significaria retirar da saúde o maior contingente de trabalhadores já visto de uma vez só. Mesmo assim, votaram contra”.
Os nove vereadores que votaram contra e causaram o risco de corte na saúde são:
- Alysson Reis
- Caio Ferraz
- Sg. Romanha
- Kauan do Salão
- Juninho Buguiu
- Jaguará da Saúde
- Johnatan Maravilha
- Pâmela Maia
- Roque Chile
Votaram a favor dos projetos: Roninho Passos, Yupi Silva, Adriel Pajé, Juarez Donateli, Paulinho do Marcujá, Evelson Lima e Prof. Antônio.
Política de “Engajamento”
Nos bastidores, o clima era de tensão e disputa. Um servidor presente disse:
“Teve vereador que parecia mais preocupado com o engajamento do próximo vídeo do que com a vida das pessoas.”
Quando a Política Escolhe o Caos
Desde a votação, grupos de WhatsApp, páginas locais e conversas de bairro estão tomadas pelo mesmo sentimento, “medo”. A incerteza do que acontecerá depois de 1º de janeiro virou o maior fantasma da cidade.
Não existe plano de contingência apresentado pelos vereadores que votaram contra. Nenhum comunicado oficial, nenhuma solução alternativa, nenhuma proposta concreta que compense a ausência desses 400 trabalhadores.
A população simplesmente será deixada sem profissionais de saúde e sem respostas.
E quando a primeira pessoa morrer por falta de atendimento, porque isso é uma possibilidade real, a cidade vai lembrar dessa votação.
E vai lembrar dos nomes que escolheram esse caminho.
Olateral54 reitera que está aberto para a manifestação dos vereadores citados nesta matéria, que podem apresentar suas justificativas, versões dos fatos ou planos de contingência. atraves do email: [email protected]
